





Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Os melhores documentos à venda: Trabalhos de alunos formados
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Comunidade
Peça ajuda à comunidade e tire suas dúvidas relacionadas ao estudo
Descubra as melhores universidades em seu país de acordo com os usuários da Docsity
Guias grátis
Baixe gratuitamente nossos guias de estudo, métodos para diminuir a ansiedade, dicas de TCC preparadas pelos professores da Docsity
Resumo sobre o livro Thomas Kuhn
Tipologia: Resumos
1 / 9
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!
Shinayda Carolina V. L. Cabral – 048621 Brasília, 09 de Novembro de 2018.
1. A ROTA PARA A CIÊNCIA NORMAL Neste ensaio, "ciê ncia normal" significa a pesquisa firmemente baseada em uma ou mais realizações científicas passadas. Essas realizações sã o reconhecidas durante algum tempo por alguma comunidade científica específica como proporcionando os fundamentos para sua prática posterior, embora raramente na sua forma original, hoje em dia essas realizações sã o relatadas pelos manuais científicos elementares e avançados. Tais livros expõem o corpo da teoria aceita, ilustram muitas (ou todas) as suas aplicações bem-sucedidas e comparam essas aplicações com observações e experiê ncias exemplares. Daqui por diante deverei referir-me às realizações que partilham essas duas características como "paradigmas", um termo estreitamente relacionado com "ciê ncia normal". Com a escolha do termo pretendo sugerir que alguns exemplos aceitos na prática científica real — exemplos que incluem, ao mesmo tempo, lei, teoria, aplicaçã o e instrumentaçã o — proporcionam modelos dos quais brotam as tradições coerentes e específicas da pesquisa científica. Sã o essas tradições que o historiador descreve com rubricas como: "Astronomia Ptolomaica" (ou "Copernicana"), "Dinâmica Aristotélica" (ou "Newtoniana"), "óptica Corpuscular" (ou "Ó ptica Ondulatória"), e assim por diante. O estudo dos paradigmas, muitos dos quais bem mais especializados do que os indicados acima, é o que prepara basicamente o estudante para ser membro da comunidade científica determinada na qual atuará mais tarde. Uma vez que ali o estudante reúne-se a homens que aprenderam as bases de seu campo de estudo a partir dos mesmos modelos concretos, sua prática subseqüente raramente irá provocar desacordo declarado sobre pontos fundamentais. Homens cuja pesquisa está baseada em paradigmas compartilhados estã o comprometidos com as mesmas regras e padrões para a prática científica. Esse comprometimento e o consenso aparente que produz sã o pré-requisitos para a ciê ncia normal, isto é, para a gê nese e a continuaçã o de uma tradiçã o de pesquisa determinada. Nenhum período entre a antiguidade remota e o fim do século XVII exibiu uma única concepçã o da natureza da luz que fosse geralmente aceita. Em vez disso havia um bom número de escolas e subescolas em competiçã o, a maioria das quais esposava uma ou outra variante das teorias de Epicuro, Aristóteles ou Platã o.
ê nfase especial à conduçã o, proporcionam um exemplo típico excelente. Conduzidos por essa crença, que mal e mal podia dar conta da conhecida multiplicidade de efeitos de atraçã o e repulsã o, muitos deles conceberam a idéia de engarrafar o fluido elétrico. O fruto imediato de seus esforços foi a Garrafa de Leyden, um artifício que nunca poderia ter sido descoberto por alguém que explorasse a natureza fortuitamente ou ao acaso. Entretanto, este artifício foi desenvolvido independentemente, pelo menos por dois investigadores no início da década de 1740. Quase desde o começo de suas pesquisas elétricas, Franklin estava especialmente interessado em explicar aquele estranho e, em conseqüê ncia, tã o revelador aparelho. O sucesso na explicaçã o pro- porcionou o argumento mais efetivo para a transformaçã o de sua teoria em paradigma, apesar de este ser ainda incapaz de explicar todos os casos conhecidos de repulsã o elétrica. Para ser aceita como paradigma, uma teoria deve parecer melhor que suas competidoras, mas nã o precisa (e de fato isso nunca acontece) explicar todos os fatos com os quais pode ser confrontada. A definiçã o mais estrita de grupo científico tem outras conseqüê ncias. Quando um cientista pode considerar um paradigma como certo, nã o tem mais neces- sidade, nos seus trabalhos mais importantes, de tentar construir seu campo de estudos começando pelos primeiros princípios e justificando o uso de cada conceito introduzido. Isso pode ser deixado para os autores de manuais. Mas, dado o manual, o cientista criador pode começar' suas pesquisa onde o manual a interrompe e desse modo concentrar-se exclusivamente nos aspectos mais sutis e esotéricos dos fenômenos naturais que preocupam o grupo. Na medida em que fizer isso, seus relatórios de pesquisa começarã o a mudar, seguindo tipos de evoluçã o que tê m sido muito pouco estudados, mas cujos resultados finais modernos sã o óbvios para todos e opressivos para muitos. Suas pesquisas já nã o serã o habitualmente incorporadas a livros como Experiências... sobre a Eletricidade de Franklin ou a Origem das Espécies de Darwin, que eram dirigidos a todos os possíveis interessados no objeto de estudo do campo examinado. Em vez disso, aparecerã o sob a forma de artigos breves, dirigidos apenas aos colegas de profissã o, homens que certamente conhecem o para- digma partilhado e que demonstram ser os únicos capazes de ler os escritos a eles endereçados. Em algum momento entre 1740 e 1780, os eletricistas tornaram-se capazes de, pela primeira vez, dar por estabelecidos os fundamentos de seu campo
de estudo. Daí para a frente orientaram-se para problemas mais recônditos e concretos e passaram cada vez mais a relatar os resultados de seus trabalhos em artigos endereçados a outros eletricistas, ao invés de em livros endereçados ao mundo instruído em geral. Alcançaram, como grupo, o que fora obtido pelos astrônomos na Antiguidade, pelos estudantes do movimento na Idade Média, pela Ó ptica Física no século XVII e pela Geologia Histórica nos princípios do século XIX. Elaboraram um paradigma capaz de orientar as pesquisas de todo o grupo. Se nã o se tem o poder de considerar os eventos retrospectivamente, torna-se difícil encontrar outro critério que revele tã o claramente que um campo de estudos tornou-se uma ciê ncia.
2. A NATUREZA DA CIÊNCIA NORMAL Qual é entã o a natureza dessa pesquisa mais especializada e esotérica permitida pela aceitaçã o de um paradigma único por parte de um grupo? Se o paradigma representa um trabalho que foi completado de uma vez por todas, que outros problemas deixa para serem resolvidos pelo grupo por ele unificado? Essas questões parecerã o ainda mais urgentes se observarmos um aspecto no qual os termos utilizados até aqui podent, ser enganadores. No seu uso estabelecido, um paradigma é um modelo ou padrã o aceitos. Este aspecto de seu significado permitiu- me, na falta de termo melhor, servir-me dele aqui. Mas dentro em pouco ficará claro que o sentido de "modelo" ou "padrã o" nã o é o mesmo que o habitualmente empregado na definiçã o de "paradigma". Por exemplo, na Gramática, "amo, amas, amat" é um paradigma porque apresenta um padrã o a ser usado na conjugaçã o de um grande número de outros verbos latinos — para produzir, entre outros, "laudo, laudas, laudas". Nesta aplicaçã o costumeira, o paradigma funciona ao permitir a reproduçã o de exemplos, cada um dos quais poderia, em princípio, substituir aquele. Por outro lado, na ciê ncia, um paradigma raramente é suscetível de reproduçã o. Tal como uma decisã o judicial aceita no direito costumeiro, o paradigma é um objeto a ser melhor articulado e precisado em condições novas ou mais rigorosas. Para que se compreenda como isso é possível, devemos reconhecer que um paradigma pode ser muito limitado, tanto no âmbito como na precisã o, quando de sua
assegurar da importância dos fatos que pesquisam. Uma segunda classe usual, porém mais restrita, de fatos a serem determinados diz respeito àqueles fenômenos que, embora freqüentemente sem muito interesse intrínseco, podem ser diretamente comparados com as predições da teoria do paradigma. Como veremos em breve, quando passamos dos problemas experimentais aos problemas teóricos da ciê ncia normal, raramente encontramos áreas nas quais uma teoria científica pode ser diretamente comparada com a natureza, especialmente se é expressa numa forma predominantemente matemática. Até agora nã o mais do que trê s dessas áreas sã o acessíveis à Teoria Geral da Relatividade de Einstein. Além disso, mesmo nas áreas onde a aplicaçã o é possível, freqüentemente requer aproximações teóricas e instrumentais que limitam severamente a concordância a ser esperada. Creio que uma terceira classe de experiê ncias e observações esgota as atividades de coleta de fatos na ciê ncia. normal. Consiste no trabalho empírico empreendido para articular a teoria do paradigma, resolvendo algumas de suas ambigüidades residuais e permitindo a soluçã o de problemas para os quais ela anteriormente só tinha chamado a atençã o. Essa classe revela-se a mais importante de todas e para descrevê - la é necessário subdividi-la. Nas ciê ncias mais matemáticas, algumas das experiê ncias que visam à articulaçã o sã o orientadas para a determinaçã o de constantes físicas. Por exemplo, a obra de Newton indicava que a força entre duas unidades de massa a uma unidade de distância seria a mesma para todos os tipos de matéria, em todas as posições do universo. Mas os problemas que Newton examinava podiam ser resolvidos sem nem mesmo estimar o tamanho dessa atraçã o, a constante da gravitaçã o universal. Contudo, os esforços para articular um paradigma nã o estã o restritos à determinaçã o de constantes universais. Podem, por exemplo, visar a leis quantitativas: a Lei de Boyle, que relaciona a pressã o do gás ao volume, a Lei de Coulomb sobre a atraçã o elétrica, e a fórmula de Joule, que relaciona o calor produzido à resistê ncia e à corrente elétrica — todas estã o nessa categoria. Talvez nã o seja evidente que um paradigma é um pré-requisito para a descoberta de leis como essas. Ouvimos freqüentemente dizer que elas sã o encontradas por meio do exame de medições empreendidas sem outro objetivo que a própria medida e sem compromissos teóricos. Mas a história nã o oferece nenhum respaldo para um método
tã o excessivamente baconiano. Finalmente, existe uma terceira espécie de experiê ncia que visa à articulaçã o de um paradigma. Esta, mais do que as anteriores, pode assemelhar-se à exploraçã o e predomina especialmente naqueles períodos e ciê ncias que tratam mais dos aspectos qualitativos das regularidades da natureza do que dos quantitativos. Freqtientemente um paradigma que foi desenvolvido para um determinado conjunto de problemas é ambíguo na sua aplicaçã o a outros fenômenos estreitamente relacio- nados. Nesse caso experiê ncias sã o necessárias para permitir uma escolha entre modos alternativos de aplicaçã o do paradigma à nova área de interesse. Por exemplo, as aplicações do paradigma da teoria calorífica referiam-se ao aquecimento e resfriamento por meio de misturas e mudança de estado. Mas o calor podia ser liberado ou absorvido de muitas outras maneiras — por exemplo, por combinaçã o química, por fricçã o e por compressã o ou absorçã o de um gás — e a cada um desses fenômenos a teoria podia ser aplicada de diversas maneiras. Por exemplo, se o vácuo tivesse uma capacidade térmica, o aquecimento por compressã o poderia ser expli- cado como sendo o resultado da mistura do gás com o vazio. Ou poderia ser devido a uma mudança no calor específico de gases sob uma pressã o variável. E existem várias outras explicações além dessas. Mesmo nas ciê ncias matemáticas existem problemas teóricos relacionados com a articulaçã o do paradigma. Durante aqueles períodos em que o desenvolvimento científico é sobretudo qualitativo, esses problemas sã o dominantes. Alguns dos problemas, tanto nas ciê ncias mais quantitativas como nas mais qualitativas, visam simplesmente à clarificaçã o do paradigma por meio de sua reformulaçã o. Reformulações similares de um paradigma ocorreram repetidamente em todas as ciê ncias, mas a maioria delas produziu mais mudanças substanciais no paradigma do que as reformulações dos Principia citadas acima. Tais transformações resultaram do trabalho empírico previamente descrito como dirigido à articulaçã o do paradigma. Na verdade, é arbitrário classificar essa espécie de trabalho como sendo empírico. Mais do que qualquer outra espécie de pesquisa normal, os problemas apresentados pela articulaçã o do paradigma sã o simultaneamente teóricos e experimentais. Abandonar o paradigma é deixar de praticar a ciê ncia que este define.